
Minha infância sempre foi marcada por momentos linnnndos,e por momentos não muito lindos assim.he!he!he!he!quando tomava uns para ti quetos(tapas,palmadas,beliscões ou cintadas),Sim..Sim...Sim na minha infância a criança teimosa,arteira,apanhava.
Não tinha o concelho Tutelar para nos defender;Mas EU; EU tinha a minha Vó Maria para me defender,ou seja me esconder.he!he!he!he!
Como contei anteriormente na história "A Netinha da Vovó",Ela me protegia muito.
Então,em certas ocasiões em que eu aprontava e o castigo ia vir pelas mãos da minha mãe(uma cinta chamada respeito)...Eu corria...corria....e...
Devo explicar que minha avó usava umas saias compridas,(como barraquinhas).
então eu corria e me escondia debaixo das suas saias,e, ali ficava segura;..estava salva do "respeito".Porque minha mãe não podia me bater,senão podia acertar as pernas da Vovó Maria. Querida avózinha que tenho muitas saudades e boas lembranças.

Nos dias de calor,papai nos levava para acampar no"CAVERÁ"(rio Caverá-Alegrete).Na época a água era limpinha tinha muita sombra e bom acesso até a margem.Lembro da ponte,pois ficávamos debaixo dela para nos proteger do sol.
Era lá que passávamos o dia de molho,nos refrescando e comendo muitos lanchinhos gostosos (feitos pela vó Maria),enquanto os adultos ficavam na sombra das barracas a deliciar-se com uma ceva bem gelada(a nº1, era só a que papai tomava),um gostoso churrasco e chimarrão a vontade.
Para nós crianças, era uma maravilha aqueles finais de semana,íamos além com a nossa imaginação,nadando em piscinas enormes(fingindo)brincando de salva-vidas,competindo e pescando os peixinhos com saquinhos de batata(tipo redinhas),e colocando-os nos aquários particulares que construíamos nas margens do rio.
No final da tarde...colocávamos os peixinhos de volta aos seus domínios e eles voltavam felizes para o seu mundinho;....Assim como nós,voltávamos felizes para nossa casa,nosso reino encantado.

Crescemos amando a natureza e os animais;Em nossa casa haviam muitos animaizinhos e todos tinham nomes bem originais;tres cachorrinhos:o Dick do Badica,o Rim Tim Tim do Beto e o Amigo,da minha tia Catarina que moráva conosco.Também tínhamos uma tartaruguinha,a Lolinha,um papagaio,o Pedrinho,um macaquinho chamado Chico e várias galinhas; uma branquinha de nome mocinha e o galo do terreiro chamado Capitão.
Tínhamos uma horta, muito linda e muito farta de verduras e legumes e um pomar com várias árvores frutíferas;tanto a horta como o pomar eram cercados por uma tela para que os animais não tivessem acesso.Á tarde,tinhamos a missão de regar as plantas e dar milho ás galinhas.
Com tantos animaizinhos ,era natural que um deles morrecem. O cachorrinho da Catarina foi o primeiro a morrer(de velho,até caducava).
E,nós não tívemos dúvidas;arrumamos um véu preto para a Catarina, e realizamos um lindo velório com flores(do campo), velas e com direito a ser enterrrado no fundo do pátio com uma cruz e seu nome gravado.
Daí um tempo, morreu o Rim Tim Tim;envenenado. E teve o mesmo tratamento velatório...Mais tarde o nosso macaquinho arteiro e teimoso,que adorava pegar o barbeador do papai para se barbear.he!he!he!he! SUICIDOU-SE he!he!he! e o enterro foi realizado.
Meu pai, não deixava que a gente sentisse a falta dos nossos pequenos amiguinhos, e logo providenciava outros.Trouxe a cachorrinha PIG,para a Rose e um bugiuzinho chamado Negrão para nos fazer companhia,mas nós, não esquecíamos dos nossos antigos amiguinhos;arrumavamos vasos com flores para eles e fazíamos um ritual igualzinho ao que fazíamos como quando íamos ao cemitério verdadeiro.he!he!he!(iamos atrás de mamãe e roubava os vasos dos túmulos que tinham muitos e colocava nos que não tinham) depois conto prá vcs essa história.

Papai chegou em casa e nos chamou para uma conversa interessante.O cumpadre Ercílio grande comerciante e cumpadre dos meus pais,(mas nós o chamávamos assim também),deu-lhe a idéia, de nós recebermos no fim do mês uma pequena quantia em dinheiro (mesada)para que aprendessemos a administrar os nossos pequenos gastos(com doces) era o que nossa pequena imaginação dizia.he!he!he!he!
Papai,todo empolgado nos explicou, e deixou bem claro que a gente só recebia aquele dinheiro no mês,e,tínhamos que administrar nossos gastos durante os 30 dias.
Deu para cada um de nós uma boa quantia (em cruzeiros),e, nós corremos para a venda(armazém).Compramos muitos doces,balas, chocolates(beijo de moça),merendinha, chicletes que vinham com anéis e pulceirinhas,todas as guloseimas possíveis.
Para pagar,juntamos a mesada de todos(será que dá),não deu.... faltou....mas queríamos tudo.
O Beto,(meu irmão mais velho) grande conhecedor de administrar dinheiro ;teve a grande idéia(de jirico)de pagar o que desse, e anotar o que faltasse na caderneta do mês(da casa);e... assim foi feito.
Chegamos em casa(cheio dos ouros),com todas as compras;e,comemos,comemos,comemos.
No dia seguinte,minha mãe foi comprar pão e leite,e adivinhem....ficou sabendo do gasto novo;e,pior...meu pai também ficou sabendo.Aí a porca torceu o rabo he!he!he!he
Fomos intimados para uma nova conversa séria;nossas jóias,anéis,correntes e docinhos foram jogados tudo no lixo, e adeus dinheirinho de mesada.

Em frente a nossa casa,passava uma linha de trem de cargas.Era lindo ver a MARIA FUMAÇA passar, carregadinha de passageiros e atupetadinha de carga.
Depois que o trenzinho passava,a área ficava livre he!he!he!he!e a criançada(inclusive Eu),construia um túnel no meio das árvores e matos de taquara,que haviam do outro lado da linha;para brincar de mocinho,indios e bang bang.
Eu,sempre era a indiazinha(caracterizada claro!!)que salvava o mocinho dos apuros com os bandidos....mas, para entrar na brincadeira,eu tinha as minhas condições:Não podia morrer nunca e o Badica(meu irmão Romário) tinha que me emprestar a sua famosa calça de veludo cotelê verde da marca TOPEKA(etiqueta de Metal) muito usada na época.
Ai sim;após vestir as calças, completava o modelito com uma camiseta toda de franjas,fita no cabelo e dois revólveres um em cada colder.... Estava pronta para pular os muros da cadeia(construção no fundo do pátio),andar no meio das selvas(as taquareiras) e correr pelas estradas empoeiradas no meu lindo cavalo(de pau),para conquistar vitórias e viver uma grande aventura.

No domingo,a programação era divertida,tinha muitos desenhos,e de noite tinha uma programação de LUTAS emocionante.
A criançada adorava ver o Ted Boy Marino lutar he!he!he!he!; o máximo era quando aparecia o Santo;um mascarado muito forte que fazia um imenso sucesso com as mulheres e com as adolescentes da época.
Bom,após as explicações,vamos as brincadeiras.....
No nosso mundo encantado(nosso pátio) também realizávamos o nosso TELE KET.
Mamãe havia comprado um chapéu de nylon para meus irmãos.(como eram lindos aqueles chapéus).
Eram lindos....Porque viraram tiras coloridas de nylon;que colocamos amarradas em quatro pedaços de paus e se transformaram em ringue de lutas livres he!he!he
As lutas eram classificadas por tamanhos,lutavam os mais novos,depois os mais velhos,e, sempre tinham um vencedor para cada tamanho( a gente não sabia, mas eram categorias)
Eu lutava,mas cada vez que perdia, chorava aos montes (a chorinha),e quando dava choro as lutas acabavam porque a JUIZA ADELINA(minha mãe) terminava com o nosso TELE KET.
Eu e meus (agora quatro)irmãos inventamos seção de matinê. De tarde no horário das crianças,colocávamos as cadeiras viradas para a TV e íamos assistir aos desenhos da época.
Como em todo o cinema tem que ter balinhas, hehehehehehehe, nós não íamos ficar de fora.
Minha mãe tinha a mania de comprar caixa de melhoral infantil (para uma emergência).E, adivinhe onde a Baixinha foi comprar as balinhas prá nós ????? Da caixa que estava no roupeiro da mãe. Balinhas Melhoral.heheheheh
Comemos toda a caixa ,ainda bem que éramos em quatro.
Quando a minha mãe deu falta dos comprimidos..se assustou;mas para a nossa sorte não deu nem uma dor de barriga,hehehehehe
O anjinho da guarda das crianças estava de prontidão.

No bairro onde morávamos,fomos os primeiros moradores a ter uma televisão.Era uma TELEFUNKEN grande,não era colorida(ainda não havia heheheh),tinha muitos chuviscos e por isso foi colocada uma antena muito alta e de fácil manuseio. Quando o tempo não estava muito bom, ou quando chovia, saía do ar,e um de nós ia lá fora e girava a antena e o outro de dentro de casa gritava:-Gira mais prá direita... Mais prá esquerda.... heheheheh(mas nós tínhamos).A TV ficou posicionada no fundo da sala,de frente para as janelas que davam para a rua, e,à noite nós a ligávamos para assistir o JN e a novela das 20h.Essa programação já existia naquela época(Eu não sou velha!!!)heheheheheh
Voltando ao assunto TV... Nós abriamos as janelas da sala para que os vizinhos que não tinham televisão viessem assistir a programação na nossa janela;mesmo porque não cabiam todos na sala.heheheheh; Eles ADORARAM a idéia.
Assim,nossa casa ficou sendo por um tempo, o cinema do bairro e nós podemos também colaborar com a cultura dos nossos vizinhos.(quando a TV estava no ar.hehehhe)
Nem Papai;Nem Noel.Simplesmente Dalvo

Meu pai era um homem sem muito estudo,muito direto em tudo o que dizia;as vezes meio rude mas de um coração generoso(a sua maneira).
Em Alegrete,onde morávamos, Ele tinha uma Funerária e Fábrica de Urnas Fúnebres(caixões).
Os funcionários que com Ele trabalhavam tinham também uma outra tarefa a realizar durante todo o ano.
Com as sobras de madeiras, os funcionários fabricavam e pintavam brinquedos ex: caminhões ,carrinhos,armarinhos,cadeirinhas, kits de cozinhas.etc...e meu pai completava com bolas e bonecas.Todos esses brinquedo seram distribuidos na Noite de Natal por um Papai Noel numa das periferias da cidade.
Após a distribuição de brinquedos o Papai Noel se dirigia ao Azilo da cidade onde levava doces salgados e músicos para alegrar as pessoas que lá viviam.
Este gesto de Carinho pelas crianças e pelos idosos pode ser realizado por meu pai até o dia em que saimos de Alegrete e fomos morar em Rosário do Sul, (Mas isso é uma outra história)
Em novembro;nossa mãe deu-nos um lindo presente:Nossa irmãzinha ROSE.
Nasceu muito alva e rosa,como uma rosa...heheheheh.Assim o bebê chegou em casa, e nós;Eu e a Baxinha,com toda a empolgação ao ver aquela bonequinha que se movia e chorava,chorava muito;resolvemos brincar com a mesma,pois queríamos experimentar todas aquelas roupinhas lindas.
Em cima da cama ficávamos ao lado de mamãe e loucas para pegar aquela coizinha linda;mas a oportunidade não chegava. Resolvemos então, dar um tempo em baixo da cama aguardando heheheh.
O bebê começou a chorumingar e nossa mãe se ausentou por um instante..ALELUIA... era a chance que queríamos....
Tiramos todas as roupinhas da pequena boneca viva; que feliz e muito faceira batia com os bracinhos e sorria para nós.
Mamãe achou estranho quele choro ter se transformado em balbucios gostosos e voltou para verificar. Ao ouvirmos os seus passos corremos para o nosso esconderijo, pois não deu tempo de colocarmos uma só peça na pequenina..heheheheh
Mamãe ficou furiosa e não nos deu mais chance de repetirmos a façanha.







